O Príncipe
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Nota: Para o filme brasileiro com Eduardo Tornaghi e Bruna Lombardi, veja O Príncipe (filme).
| Il Principe | |
|---|---|
| O Príncipe | |
| Folha de rosto da edição de 1550 de O Príncipe e de A vida de Castruccio Castracani da Lucca[1] | |
| Autor(es) | Nicolau Maquiavel |
| Idioma | Italiano |
| País | República Florentina |
| Lançamento | 1532 |
| Edição portuguesa | |
| Lançamento | 1532 |
O Príncipe (em italiano, Il Principe) é um livro escrito por Nicolau Maquiavel em 1513, cuja primeira edição foi publicada postumamente, em 1532. Trata-se de uma das teorias políticas mais elaboradas pelo pensamento humano e que tem grande influência em descrever o Estado desde a sua publicação até os dias de hoje, mesmo os sistemas de governo já serem variados. No mesmo estilo do Institutio Principis Christiani de Erasmo de Roterdã, o intuito de O Príncipe é descrever as maneiras de conduzir-se nos negócios públicos internos e externos, e fundamentalmente, como conquistar e manter um principado, ou seja, um guia para como se chegar e manter-se no poder.
A partir da correspondência de Maquiavel, sabe-se que uma versão estava aparentemente sendo escrita em 1513, utilizando um título em latim, De Principatibus (Dos Principados).[2] No entanto, a versão impressa só foi publicada em 1532, cinco anos após a morte de Maquiavel. Isso ocorreu com a permissão do papa Medici Clemente VII, mas “muito antes disso, na verdade desde a primeira aparição de O Príncipe em manuscrito, já havia controvérsia em torno de seus escritos”.[3]
Embora O Príncipe tenha sido escrito como se fosse uma obra tradicional no estilo dos espelhos de príncipes, em geral concorda-se que ele foi especialmente inovador. Isso se deve em parte ao fato de ter sido escrito em italiano vernacular, e não em latim, uma prática que vinha se tornando cada vez mais popular desde a publicação da Divina Comédia de Dante e de outras obras da literatura renascentista.[4][5] Maquiavel ilustra seu raciocínio utilizando comparações notáveis entre eventos clássicos, bíblicos e medievais, incluindo muitas referências aparentemente positivas à carreira assassina de Cesare Borgia, ocorrida durante a própria carreira diplomática de Maquiavel.[6]
O Príncipe é às vezes considerado uma das primeiras obras da filosofia moderna, especialmente da filosofia política moderna, na qual o efeito prático é tido como mais importante do que qualquer ideal abstrato. Sua visão de mundo entrou em conflito direto com as doutrinas católicas e escolásticas dominantes da época, particularmente no que se refere à política e à ética.[7][8]
Este breve tratado é o mais lembrado entre as obras de Maquiavel e o principal responsável pelo uso posterior pejorativo da palavra “maquiavélico”. Ele inclusive contribuiu para as conotações negativas modernas das palavras “política” e “político” nos países ocidentais.[9] Quanto ao tema, ele se sobrepõe à obra muito mais extensa Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio, escrita alguns anos depois. No uso de italianos quase contemporâneos como exemplos de pessoas que cometeram crimes com fins políticos, outra obra menos conhecida de Maquiavel com a qual O Príncipe tem sido comparado é a Vida de Castruccio Castracani.






