Gotas de Poesia

5 de abril de 2021 Off Por Pedro Taunay Graça Couto

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Sobre Antonio Miranda

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CACÁ PEREIRA

Poeta e compositor, estudou violão erudito no Conservatório de Música de Brasília, além de cavaquinho, piano e pandeiro. Lançou, em 2006, o CD independente, inteiramente autoral, O Mundo Era o Céu. Com o samba Inquietação, de sua autoria e ainda não gravado, conquistou o 1º prêmio no 1º Festival de Música Popular da CUT, em 2007, ano em que criou e apresentou o projeto Viva a Arte, abrindo espaço a novos músicos brasilienses, no palco da Eletronorte (DF).

Em entrevista à jornalista Angélica Torres, publicada em 2006 na revista Roteiro, ele conta:

“Sou um menino da Ceilândia, filho de um goiano bruto, mambembe, candango da construção de Brasília, com uma piauiense da roça, de gênio forte e muito inteligente, que lavava roupa na beira do rio cantando um extenso repertório de sambas”.

Piauiense de berço, nascido em 1964, esse poeta popular de reconhecido talento e sensibilidade, compositor de samba, choro, xote e baião, teve vivências por São Paulo, Goiás e Mato Grosso, antes de aportar em 1970 na Vila Iapi – uma das invasões que deram origem à Ceilândia, cidade satélite de Brasília –, e lá ser forjado gente e artista.

Cacá chegou em Ceilândia aos sete anos. Cresceu levando vida de pobre com talento para miserável e direito a participar do quadro de alto índice de violência, o alcoolismo, a prostituição, a malandragem, que se espraiaram na gênese da cidade. O que o salvou foi o pendor para a leitura.

No dia em que o irmão primogênito chegou em casa levando Reinações de Narizinho e Sítio do Picapau Amarelo, o garoto agressivo tornou-se uma nova pessoa. Aos 12 anos já tinha lido a obra completa de Monteiro Lobato e de Julio Verne. E, claro, ganhava assim uma bela base para o espírito do estudante disciplinado e do poeta e compositor que se tornaria já adulto”.

Engels Espíritos, gaitista, cantor, compositor:

“Cacá Pereira é o que podemos chamar de um artista polivalente: toca violão com maestria, compõe hamonias e melodias, canta, dança nos palcos e, sobretudo, é um grande poeta. Sua poesia apresenta uma sensibilidade mágica, um camaleão das palavras que transita por vários universos. Da poesia brejeira, sertaneja, à dos malandros e vagabundos, passando pelas ricas e sofisticadas palavras e rimas da poesia mais intelectualizada, erudita. É, também, um contador de histórias inimagináveis. Caca Pereira é um fusão apimentada e endiabrada de alguns dos principais elementos da arte!” .

Poesias
(inéditas)
DESTINOS
Folha e borboleta

voam incertas

uma porque se desprende

outra porque se liberta

Uma que viveu exposta

outra que nasceu mistério

vindas de talo e lagarta

ambas de broto e crisálida

Folha e borboleta,

vôos caóticos

e um mesmo destino:

Uma

que encontrará o chão

outra,

um lagarto faminto.

RIBEIRINHO
Procurei o rio

de minha infância.

Nem uma coisa

nem outra

estavam mais lá

para meu susto e pavor:

procurava ambas.

Me senti morrer!

Enquanto sigo,

o que existe

fica para trás.

Nada posso levar!

Corri a escrever o rio,

cantar e chorar águas passadas,

lembrar cachoeiras e pedras,

curvas, a ponte, a barra.

Ah, meu desaparecido rio!

Do primeiro peixe,

do sumiço da menina

cujo pai enlouqueceu

gritando em suas margens

Rio que transbordou enlameando o mundo,

chuva que inundou a minha vida para sempre

de espanto e alegria.

Devo àquele rio o que aprendi

– sei agora –

a mergulhar fundo

no poço mais fundo

de minha memória.

CONSELHOS

Corre, menino,

descobre.

Pega e guarda,

é teu.

Ouve o proibido por eles,

aprende e revela.

Espia, pede e pergunta

e não cala, não cala, não!

E quando não fores mais menino,

procura por mim

e agradece,

para que nesse dia

eu seja de novo

menino