Poetas Desconhecidos

7 de maio de 2021 Off Por Pedro Taunay Graça Couto

ABDIAS DO NASCIMENTO
(1914-2011)

Abdias do Nascimento (Franca, 14 de março de 1914 — Rio de Janeiro, 24 de maio de 20111 ) foi um político e ativista social brasileiro.

Foi um dos maiores defensores da defesa da cultura e igualdade para as populações afrodescendentes no Brasil, nome de grande importância para a reflexão e atividade sobre a questão do negro na sociedade brasileira. Teve uma trajetória longa e produtiva, indo desde o movimento integralista, passando por atividade de poeta (com a Hermandad, grupo com o qual viajou de forma boêmia pela América do Sul), até ativista do Movimento Negro, ator (criou em 1944 o Teatro Experimental do Negro) e escultor.

Após a volta do exílio (1968-1978), insere-se na vida política (foi deputado federal de 1983 a 1987, e senador da República de 1997 a 1999 assumindo a vaga após a morte de Darcy Ribeiro), além de colaborar fortemente para a criação do Movimento Negro Unificado (1978). Em 2006, em São Paulo, criou o dia 20 de Novembro como o dia oficial da consciência negra. Recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Brasília. Autor de vários livros: “Sortilégio”, “Dramas Para Negros e Prólogo Para Brancos”, “O Negro Revoltado”, e outros.

Foi também professor benemérito da Universidade do Estado de Nova Iorque.

Foi casado quatro vezes. Sua terceira esposa foi a atriz Léa Garcia, com quem teve dois filhos, e a última a norte-americana Elizabeth Larkin, com quem teve um filho.

Fonte: wikipedia

EVOCAÇÃO DA ROSA

(Para Yemanjá – no seu décimo aniversário)

Era uma vez uma rosa

que não era vegetal

nem rosa mineral

carecia até da cor de rosa

era uma gata formosa

negra amarela e brancosa

irrequietamente caprichosa

vestida de suave pêlo multicor

Bichana terrivelmente amorosa

dos laços dos seus encantos

nenhum gato jamais se livrou

pelos telhados miava dengosa

suspirava a noite inteira

seduzindo namoradeira

toda a gataria ao

luar da lua alcoviteira

Certo dia Rosa pariu

uma ninhada de gatinhos

de várias cores engraçadinhos

os mais lindos eram os pretinhos

mamavam de patinhas entrelaçadas

ronronando de olhos cerrados

boquinhas rosadas coladas

às rosadas tetas de Rosa

Num desses momentos

um gatão assassino

pêlo sujo debotado

miando feio saltou felino

matando gatinho por todo lado

A mãe valente e briosa

socorri de porrete na mão

ajudei a defesa de Rosa

esbordoando estridente

perseguindo o ladrão

ele fugiu espavorido

um gatinho levando nos dentes

outros sangravam na agonia

Rosa fuzilava os olhos dementes

miando plangente a dor que lhe doía

noites a fio seu gemer se ouvia

ó doce e carinhosa Rosa

era de cortar o coração

ver-te enlouquecida

recusar enfurecida

aquela felina traição

ir definhando entristecida

até a completa inanição

Rosa cheirosa e macia

que ao morrer no

meu jardim plantei

sob a terra desapareceu

aos cuidados da minha

pobre primavera de

uma gata demente e morta

a rosa-gata enternecida

em rosa-flor floresceu

foram ambas a

única rosa que

a infância me deu